Construindo a Imara: um ano de desafios, decisões difíceis e novos caminhos

Um ano depois do início da Imara, este artigo revisita os desafios, decisões e aprendizados que marcaram a jornada até aqui. Da ideia inicial de construir um SOC, passando pelos primeiros clientes e projetos de pentest, até a decisão de criar o Imara Trust como uma alternativa brasileira às plataformas internacionais de compliance. Uma reflexão sobre construir uma empresa de segurança do zero, as pessoas que fizeram parte do caminho e o que aprendemos no primeiro capítulo dessa história.

Fevereiro sempre vai ter um significado especial para mim. Foi em fevereiro de 2025 que a Imara deixou de ser apenas uma ideia e começou a existir no mundo real. Naquele momento tudo parecia relativamente claro: queríamos construir uma empresa de segurança sólida e acreditávamos que oferecer um SOC seria um passo natural. Um centro de operações de segurança parecia o caminho lógico para uma empresa que nascia com o objetivo de proteger organizações.

Mas empreender tem uma forma curiosa de nos ensinar. À medida que avançávamos, ficou evidente que o SOC, embora importante, não seria o tipo de serviço em que conseguiríamos prosperar. A concorrência era brutal, os custos operacionais eram altos e o posicionamento de mercado não favorecia uma empresa nova tentando entrar nesse espaço. Não foi uma decisão simples, mas foi uma das primeiras grandes lições da Imara: saber mudar de direção quando os fatos mostram que o caminho escolhido não é o melhor.

Mesmo enquanto essas reflexões aconteciam, a empresa estava ganhando forma de maneiras muito concretas. Abrimos um escritório, enfrentamos reforma, equipamentos, logística e tudo aquilo que vem junto com transformar uma ideia em um lugar físico onde pessoas trabalham todos os dias. Vieram também os primeiros funcionários, os primeiros rituais de equipe, os primeiros desafios operacionais que nenhuma planilha prevê.

Logo começaram a chegar os primeiros contratos. Um deles acabou se tornando especialmente marcante: o trabalho com a Oneblinc. Esse relacionamento acabou rendendo aprendizados importantes e até um estudo de caso que ainda pretendo contar com mais detalhes em outro artigo, especialmente sobre os desafios relacionados à criptografia e segurança de dados. Foi um daqueles projetos que não apenas pagam as contas, mas também ajudam a definir quem você é como empresa.

Durante grande parte desse primeiro ano, os pentests se tornaram o verdadeiro carro-chefe da Imara. Trabalhamos com clientes de diferentes perfis, produtos e níveis de maturidade em segurança. Cada projeto trazia um sistema novo, uma arquitetura diferente e uma oportunidade de ajudar empresas a melhorar sua postura de segurança. Esses trabalhos foram fundamentais para construir reputação, experiência e, claro, manter a empresa de pé enquanto descobríamos qual seria o próximo passo.

E foi nesse contexto que surgiu talvez a decisão mais importante do nosso primeiro ano: criar o Imara Trust.

Ao longo dos projetos de segurança, ficava cada vez mais evidente um problema recorrente. Muitas empresas queriam se certificar em frameworks como ISO 27001, SOC 2 ou outros padrões relevantes, mas esbarravam no mesmo obstáculo: as ferramentas disponíveis no mercado eram extremamente caras e, em grande parte, voltadas para empresas em mercados mais maduros. Plataformas como Vanta, Drata e Secureframe são excelentes, mas muitas vezes estão fora da realidade de empresas brasileiras.

Foi assim que nasceu a ideia de construir uma alternativa nacional. O Imara Trust começou como uma ambição grande: criar uma plataforma de compliance contínuo, automação de controles e gestão de evidências que pudesse ajudar empresas brasileiras a alcançar certificações sem depender de soluções estrangeiras com custos proibitivos. De certa forma, foi o momento em que a Imara deixou de ser apenas uma empresa de serviços para começar a se transformar em uma empresa de software.

Nenhuma empresa, porém, se constrói sozinho. Ao longo desse primeiro ano algumas pessoas tiveram um papel importante na história da Imara.

O Victor Hugo, por exemplo, ajudou a criar algumas das primeiras documentações da empresa e contribuiu para a construção do que viria a ser o Guia de Sobrevivência do CISO, um material que ainda hoje considero um dos conteúdos mais interessantes que produzimos.

A Muriel teve um papel fundamental no relacionamento com os primeiros clientes. Em uma empresa que está nascendo, confiança é tudo, e muitas das primeiras portas que se abriram tiveram a participação direta dela.

E claro, não posso deixar de mencionar o Wagner Oliveira. Foi ele quem deu o empurrão inicial para que a Imara realmente saísse do papel. Entrou nessa jornada comigo como sócio, acreditou na ideia e ajudou a transformar o projeto em algo concreto. Em determinado momento ele decidiu seguir outro caminho em sua carreira, o que é parte natural da vida profissional, mas sua participação na fundação da empresa sempre fará parte da história da Imara.

Manter uma startup funcionando é um desafio constante. E quando a empresa começa a se transformar em uma empresa de software, os desafios se multiplicam. Construir produto, atender clientes, manter fluxo de caixa, aprender a vender, aprender a comunicar valor… tudo acontece ao mesmo tempo.

A verdade é que nenhum empreendimento desse tipo se sustenta apenas com a força de quem começou. Ao longo do caminho vão surgindo parceiros, clientes, colaboradores e pessoas que acreditam na visão e ajudam a construir algo maior. Cada contrato fechado, cada feedback de cliente, cada conversa com parceiros acaba virando parte da fundação da empresa.

Um ano depois, a sensação é de que ainda estamos no começo. Mas é um começo cheio de aprendizados, erros, mudanças de direção e, principalmente, construção.

E antes de terminar, fica um agradecimento sincero a todos que fizeram parte dessa jornada até aqui. Às pessoas que trabalharam diretamente na construção da Imara, às que passaram pela empresa e deixaram sua contribuição, aos parceiros que confiaram no projeto quando ele ainda era apenas uma ideia em formação.

E principalmente aos nossos clientes. Cada empresa que decidiu trabalhar conosco, seja em um pentest, em um projeto de segurança ou agora com o Imara Trust, ajudou a construir a base que sustenta a Imara hoje.

Empresas são feitas de tecnologia, processos e estratégia, mas no fim do dia são as pessoas e a confiança que tornam tudo possível.

Obrigado por fazerem parte desse primeiro ano. O próximo capítulo já começou a ser escrito.

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