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Análise das Vulnerabilidades Mais Comuns em Médios Negócios e Como Mitigá-las de Forma Eficaz

20 de outubro de 2025 por
Análise das Vulnerabilidades Mais Comuns em Médios Negócios e Como Mitigá-las de Forma Eficaz
Solon Santos

A segurança da informação deixou de ser um tema opcional para médias empresas com operações digitais críticas. Cada vez mais, essas organizações são alvo de ataques sofisticados que exploram vulnerabilidades tanto técnicas quanto humanas. Neste artigo, vamos aprofundar as vulnerabilidades mais comuns em médios negócios — mapeadas nos frameworks MITRE ATT&CK e NIST — e apresentar estratégias práticas e eficazes para mitigá-las, alinhadas às melhores práticas da ISO 27001.

Falta de Treinamento dos Funcionários: O Elo Mais Fraco

A engenharia social continua sendo uma porta de entrada recorrente para atacantes. Segundo o MITRE ATT&CK, técnicas como Phishing (ID T1566) são amplamente utilizadas para comprometer credenciais e obter acesso inicial.

Como Mitigar?

  • Programa contínuo de conscientização: Realize treinamentos periódicos (ao menos trimestrais) para capacitar funcionários a reconhecerem tentativas de phishing, engenharia social, e práticas como o uso seguro de senhas.
  • Simulações personalizadas: Implante campanhas internas de phishing simulado para medir a efetividade do treinamento e identificar colaboradores que precisam de reforço.
  • Políticas claras de segurança: Disponibilize e promova políticas de segurança da informação simples, acessíveis e atualizadas.
# Exemplo prático: criar lembretes periódicos no sistema para envio automático de dicas de segurança

Falhas de Segurança em Software: A Porta de Entrada Técnica

Sistemas e aplicações desatualizados estão em evidência na classificação CVE (Common Vulnerabilities and Exposures). Exploração de vulnerabilidades conhecidas permite instalação de malware, elevação de privilégios e movimentação lateral.

Este cenário é corroborado por dados alarmantes, como o crescimento expressivo na exploração de vulnerabilidades, que se tornou o vetor de infecção inicial mais frequentemente observado em intrusões, sendo responsável por uma parcela significativa dos acessos indevidos a sistemas. 

Um fator crucial é a persistência da exploração de falhas antigas: relatórios indicam que mesmo vulnerabilidades catalogadas e com patches disponíveis há anos (algumas com mais de uma década) continuam sendo ativamente exploradas em ataques cibernéticos, inclusive campanhas de ransomware, devido à negligência em aplicar as correções. 

Esse comportamento de ataque focado em vulnerabilidades conhecidas, muitas vezes identificadas por um ID CVE e classificadas com pontuações altas de severidade (CVSS), ressalta a importância crítica de processos contínuos e ágeis de Gerenciamento de Vulnerabilidades e aplicação de patches para mitigar o risco de elevação de privilégios e violações de dados.

Estratégias Recomendadas

  • Política rígida de gestão de patches: Estabeleça ciclos breves para aplicação de atualizações de segurança, priorizando patches críticos.
  • Inventário e classificação de ativos: Mapeie todos os sistemas e softwares em uso, avalie riscos e defina prioridades de atualização.
  • Ferramentas automatizadas de análise de vulnerabilidades: Integre scanners, como OpenVAS ou Qualys, ao processo contínuo de avaliação.

Acesso Não Autorizado: Controle é Fundamental

Com a adoção do trabalho remoto e dispositivos BYOD (Bring Your Own Device), a superfície de ataque aumentou. Segundo o NIST SP 800-63, implementar autenticação robusta e controle de acesso pode reduzir significativamente os riscos.

De fato, o aumento da superfície de ataque é uma realidade mensurável, com estudos indicando que a exploração de credenciais roubadas ou fracas está envolvida em aproximadamente 80% das violações de dados. Nesse contexto, a Autenticação Multifator (MFA), conforme preconiza o NIST, surge como um mecanismo de defesa de alto impacto. 

A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) dos EUA afirma que a implementação da MFA pode reduzir em mais de 99% a probabilidade de ataques automatizados de preenchimento de credenciais (ou credential stuffing). 

Além disso, a adoção de políticas robustas de Acesso de Confiança Zero (Zero Trust), que incluem a MFA adaptativa e controles de acesso granulares sobre dispositivos BYOD não gerenciados, é essencial, dado que quase metade das empresas com políticas BYOD relataram violações de dados originadas de dispositivos de propriedade dos funcionários, evidenciando o risco da falta de controle sobre esses endpoints remotos.

Boas Práticas

  • Autenticação Multifator (MFA): Exija MFA para acessos a sistemas críticos, especialmente para operações administrativas e acesso remoto.
  • IAM (Identity and Access Management): Utilize soluções que ofereçam provisionamento e revogação de acessos automatizados, evitando permissões excessivas.
  • Princípio do Menor Privilégio: Configure acessos mínimos necessários para funções específicas, revisando periodicamente as permissões.
# Exemplo simplificado de política de acesso no formato YAML para ferramenta IAM
access_policies:
  - role: admin
    permissions:
      - read
      - write
      - delete
  - role: user
    permissions:
      - read

Backup de Dados Insuficiente: Não Dependa da Sorte

A perda de dados causa impactos financeiros e reputacionais imensuráveis. Ataques como ransomware (T1486 no MITRE ATT&CK) evidenciam a necessidade de backups eficazes.

Essa preocupação se justifica plenamente, pois ataques de ransomware se tornaram uma epidemia digital, com o custo médio global de uma violação de dados alcançando milhões de dólares. O perigo é ampliado pelo fato de que os cibercriminosos, utilizando técnicas de extorsão dupla (roubo e criptografia), visam diretamente os repositórios de segurança: segundo relatórios de tendências, mais de 90% dos ataques de ransomware tentam comprometer o armazenamento de backup para forçar o pagamento do resgate. 

Essa estatística alarmante reforça a necessidade de as organizações transcenderem a simples cópia de dados, implementando a regra 3-2-1 (três cópias, em duas mídias diferentes, sendo uma off-site) complementada pela imutabilidade, garantindo que as cópias de recuperação permaneçam intocáveis e a capacidade de restauração do negócio seja mantida.

Implementação de Backups Seguros

  • 3-2-1 Backup Rule: Mantenha ao menos três cópias dos dados, em dois tipos de mídia diferentes, e uma cópia armazenada offsite ou offline.
  • Testes periódicos de restauração: Validar o processo de recuperação é tão importante quanto o backup em si.
  • Automatização e monitoramento: Utilize ferramentas que automatizam backups e enviam alertas em caso de falhas.

Negligência na Segurança da Rede: Fortaleça as Barreiras

Infraestruturas de redes mal configuradas facilitam a movimentação lateral e vazamento de dados. Frameworks como o NIST Cybersecurity Framework destacam a importância do controle e monitoramento contínuo.

Dados verídicos demonstram que a negligência na configuração de rede é um dos vetores de ataque mais custosos e comuns, especialmente no ambiente de cloud computing. No Brasil, erros de configuração na nuvem foram apontados como uma das principais causas iniciais de violações de dados, gerando um custo médio superior a R$ 5,95 milhões por incidente, conforme relatórios de custo de violação de dados da IBM. 

Além disso, a falha humana – que inclui a má configuração de acessos e sistemas – contribuiu para aproximadamente 95% das violações de dados em 2024. A falta de segmentação de rede e o excesso de privilégios em sistemas mal configurados são fatores críticos que permitem a movimentação lateral (lateral movement), transformando uma pequena invasão inicial (como um phishing) em um vazamento de dados de escala catastrófica.

Medidas Essenciais

  • Firewalls e IDS/IPS: Configure firewalls para filtrar tráfego e utilize sistemas de detecção/prevenção de intrusões para identificar atividades suspeitas.
  • VPN para acesso remoto: Criptografe conexões remotas para evitar interceptação de dados.
  • Segmentação de rede: Separe redes administrativas, operacionais e de convidados para limitar o alcance de possíveis invasores.
# Exemplo de iptables para criação de segmento isolado (network segment) na rede local:

Comando IptablesTradução SimplesFunção/Objetivo
iptables -A FORWARDAdicionar Regra de RoteamentoAplica a regra ao tráfego que passa (roteia) entre as redes.
-s 192.168.10.0/24De: Rede 10 (Ex: Servidores)Define o tráfego que sai da primeira rede.
-d 192.168.20.0/24Para: Rede 20 (Ex: Usuários/BYOD)Define o tráfego que vai para a segunda rede.
-j DROPAção: Bloquear TotalmenteA instrução final: JOGAR FORA o pacote de dados.

Conclusão

A segurança em médios negócios não deve ser vista como um custo, mas como um investimento estratégico para resiliência digital. As vulnerabilidades mais comuns — humanas, técnicas e de processo — podem ser mitigadas com uma abordagem integrada que envolva treinamentos, tecnologia atualizada, políticas claras e monitoramento constante.

Seguir os frameworks ISO 27001 para governança, NIST para controles e MITRE ATT&CK para inteligência de ameaças posiciona seu negócio para responder eficazmente a incidentes e reduzir impactos.


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  • Treinamentos customizados e simulações de phishing.
  • Implementação de sistemas IAM e MFA.
  • Auditorias e aplicação de frameworks como ISO 27001.
  • Integração de ferramentas de gestão de vulnerabilidades.
  • Projetos para segmentação de redes e hardening de ambientes.

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