Continuidade – Cadastrar atividades e definir RTO/RPO
Com os critérios definidos, começa o trabalho de conteúdo: registrar o que a organização faz e descobrir quanto tempo ela tolera ficar sem cada coisa.
A tela define o objeto com precisão: uma atividade é algo que a organização faz e que sustenta um produto ou serviço. Exemplos que a própria plataforma dá: autorizar pagamentos, emitir notas fiscais, rodar a folha.
Repare que nenhum desses é um sistema, um time ou um departamento. É uma atividade, e essa distinção evita o erro mais comum do módulo.
Comece pelo que a organização entrega para fora
A orientação da tela de registro é essa, e é boa. Liste primeiro o que o cliente recebe, e pergunte o que precisa acontecer internamente para aquilo existir. Essas são as suas atividades priorizadas.
O formulário tem cinco seções, e a instrução é preencher de cima para baixo.
1. Identificação
Nome. Um verbo ajuda, conforme a própria dica da tela. “Conciliação bancária diária” é melhor que “Financeiro”.
Área responsável. Vem do seu cadastro de departamentos, o que permite agrupar e filtrar depois, e alimenta a leitura por área no painel.
Responsável. Aqui há uma distinção explícita e importante: é quem responde pela atividade, não quem a executa.
Produtos e serviços que ela sustenta. Este é o campo que dá sentido a tudo. A plataforma é clara: é esta ligação que faz a atividade ser priorizada, e não apenas mais uma tarefa. Se você não conseguir nomear o produto ou serviço que depende dela, provavelmente ela não pertence a este registro.
Nível de prioridade, entre crítica, alta, média e baixa. A tela avisa honestamente que essa é uma taxonomia de prática, e não vem da norma.
O cliente percebe a interrupção? Sim ou não. Alimenta a leitura reputacional do painel de impactos.
2. Impacto ao longo do tempo
Aqui você usa a grade montada nos critérios: as lentes que você definiu como linhas, as janelas de tempo como colunas.
Há dois modos de classificar:
Ponto de virada. Uma pergunta por lente: a partir de qual janela perder esta atividade deixa de ser tolerável. É essa primeira travessia que define o objetivo, e as demais células apenas documentam a rampa.
Grade completa. Todas as células, para documentar como o impacto cresce ao longo do tempo.
Comece pelo ponto de virada. Ele entrega o resultado que importa com uma fração do trabalho. A grade completa faz sentido depois, quando você quiser registrar a progressão.
Quatro coisas úteis sobre a grade:
Você não precisa preencher tudo. O objetivo já é sugerido assim que qualquer lente alcança o nível inaceitável. Comece pela lente que você conhece melhor.
Lentes medidas em dinheiro exigem o valor. A janela sozinha não diz se o limiar foi ultrapassado, e a plataforma pede o valor estimado da perda.
Impacto não diminui com o tempo. Marcar a primeira janela inaceitável já implica as seguintes, e a plataforma trabalha com essa premissa.
Existe a opção de dizer que nunca fica inaceitável nas janelas definidas. É uma resposta legítima para atividades realmente toleráveis.
E há um campo de observação por célula que vale usar. A plataforma explica o motivo de forma direta: registrar de onde veio o número, se foi entrevista, oficina ou dado histórico, é a segunda pergunta de um auditor. A primeira é qual é o número; a segunda é como você chegou nele.
3. Objetivos de recuperação
O período máximo tolerável aparece sozinho, derivado da grade, e a tela indica que ele vem dali. Se a grade ainda não foi avaliada, a plataforma pede que você a avalie primeiro.
Se você registrar um valor diferente do derivado, a plataforma sinaliza a divergência e informa que ambos vão para o artefato. Isso é bom: a divergência fica visível e explicável, em vez de silenciosa.
O objetivo de tempo de recuperação é o seu compromisso de quanto tempo levará para voltar. E existe uma regra rígida: ele precisa caber dentro do período máximo tolerável. Se você digitar um valor maior, a plataforma bloqueia e explica que a norma exige essa relação.
Faz todo sentido. Se você tolera no máximo quatro horas de interrupção e promete voltar em oito, você declarou por escrito que não consegue cumprir o seu próprio limite.
A capacidade mínima aceitável é o campo mais subestimado desta seção, e a tela explica por quê: o objetivo de tempo é o prazo para voltar a este nível de operação, não à capacidade total.
Isso muda tudo na prática. Voltar com quarenta por cento do volume, atendendo apenas transações nacionais, é frequentemente viável em uma hora, enquanto voltar a cem por cento levaria um dia. Sem declarar a capacidade mínima, o seu objetivo fica irreal.
Há também pessoas mínimas, ou seja, quantas pessoas a atividade exige para operar no mínimo aceitável.
O ponto objetivo de recuperação, quando habilitado nos critérios, registra a perda de dados tolerada. A plataforma repete que ele não é conceito da norma de continuidade, e sim prática de recuperação de desastres.
4. Recursos e dependências
Esta seção conecta a atividade à realidade, e é onde as lacunas aparecem.
Cada dependência tem uma origem:
| Origem | Quando usar |
|---|---|
| Ativo | Um sistema do seu inventário. O prazo de recuperação vem do próprio registro |
| Fornecedor | Um terceiro do seu cadastro. O prazo também vem do registro |
| Usuário da plataforma | Uma pessoa da sua equipe |
| Outra atividade | Interdependência: esta atividade não começa até a outra voltar |
| Pessoa indicada | Alguém sem conta na plataforma, como um plantonista do fornecedor |
| Apenas texto | Para o que a plataforma não modela |
A última opção existe deliberadamente. A plataforma reconhece que a norma pede infraestrutura física, transporte e logística, e que ela não modela esses itens. Um gerador de andar ou uma rota de entrega entram como texto livre, e isso é o comportamento correto em vez de forçar um encaixe.
Cada recurso é classificado em uma categoria: pessoas, informação e dados, infraestrutura física, equipamentos e insumos, tecnologia da informação e comunicação, transporte e logística, finanças, e parceiros e fornecedores.
A lacuna de prazo é o achado mais valioso do módulo
Cada dependência pode ter um prazo de recuperação declarado, em minutos. Quando o recurso já traz esse prazo no próprio cadastro, ele tem prioridade.
E aí a plataforma faz a conta que ninguém faz à mão: ela informa quantas dependências não sustentam o objetivo de recuperação da atividade.
Este é o momento em que muita empresa descobre um problema real. Você prometeu voltar em duas horas, e o seu provedor de banco de dados garante contratualmente quatro. O seu objetivo é ficção, e agora está documentado que é.
A mesma contagem viaja para dentro do artefato de análise de impacto, então ela não fica só na tela.
Há também uma distinção precisa e importante: a plataforma informa quantos recursos estão sem prazo declarado, e explica que sem prazo declarado a lacuna é desconhecida, o que não é o mesmo que zero.
Vale reter essa frase. Uma lista de dependências sem prazos não significa que está tudo bem; significa que você não sabe.
Duas observações sobre dependências de pessoas:
Pessoas não têm prazo de recuperação. O que importa é quantas, e se há suplente.
Registre o papel, não só o nome. A plataforma explica: nomear só a pessoa quebra o registro no dia em que ela sai. Algo como *pessoa de plantão da infraestrutura* sobrevive à rotatividade.
E inclua os suplentes na contagem de pessoas necessárias, porque a norma pede pessoal nomeado e substitutos.
Para cada dependência você pode ainda registrar se existe alternativa caso ela fique indisponível, entre nenhuma, parcial, completa ou não respondido, com espaço para descrever qual é a alternativa ou por que não há. E um responsável neste processo, que a plataforma define bem: quem chamar quando esta atividade não puder rodar por causa deste recurso, e que pode ser diferente de quem é dono do recurso no cadastro.
5. Revisão
Mostra a cada quantos meses a atividade será revista. O valor vem das configurações e é copiado no cadastro.
Um detalhe que evita confusão: mudar o padrão do módulo depois não encurta a validade de uma evidência já emitida.
Salvar
Salvar atividade exige o nome e um objetivo de tempo válido dentro do período máximo tolerável. Ao salvar, ela entra no registro e passa a contar em todas as abas do painel.
Os status possíveis são rascunho, ativa e arquivada. Arquivar retira a atividade do registro ativo e preserva as classificações.
Janelas de pico, e a decisão de projeto que vale entender
O registro permite marcar períodos de sazonalidade, indicando que naquele período a grade se lê algumas faixas pior.
A plataforma faz uma escolha que merece elogio e está declarada na tela: o agravamento muda como a grade é lida, e nunca recalcula o período máximo tolerável. A justificativa: um objetivo deslocado sozinho seria a plataforma inventando uma declaração de apetite a risco.
Ou seja, a sazonalidade informa a sua leitura, e a declaração continua sendo sua.
Problemas comuns
Faltam o nome e um objetivo válido dentro do período tolerável. São as duas exigências para salvar.
O objetivo de tempo é maior que o período tolerável. A norma exige o contrário. Reduza o objetivo, ou reveja a grade se o período derivado estiver errado.
O período tolerável não aparece. A grade ainda não foi avaliada, ou nenhuma lente alcançou o nível inaceitável nas janelas definidas.
Não encontro o recurso nos cadastros. Se ele não existe em nenhum cadastro, use a origem de texto livre.
Não consigo carregar áreas ou usuários. Falta permissão de leitura desses cadastros. Peça a um administrador, ou registre o recurso como texto livre.
Muitos recursos sem prazo declarado. Vale resolver: a lacuna desconhecida é pior que a lacuna conhecida.
⚠️ Este tutorial descreve o funcionamento da plataforma em linguagem própria e não reproduz o texto normativo. A norma de continuidade é a referência oficial.
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