Frameworks – DORA: o que a plataforma cobre

Conformidade · Frameworks · atualizado em 31 ago 2026

O DORA é um regulamento da União Europeia sobre resiliência operacional digital no setor financeiro. Ele parte de uma constatação simples: bancos e seguradoras dependem de tecnologia de terceiros, e a falha desses terceiros é risco sistêmico.

Para uma empresa brasileira de tecnologia, isso significa que o regulamento pode chegar até você mesmo sem você ser uma instituição financeira.

Para quem serve

Duas situações, com pesos bem diferentes:

A empresa é uma instituição financeira que opera na Europa. Aqui o regulamento se aplica diretamente, e o trabalho é grande.

A empresa é fornecedora de tecnologia para instituições financeiras europeias. Este é o caso mais comum para empresas brasileiras. O regulamento exige que a instituição financeira governe os riscos dos seus fornecedores de tecnologia, e ela repassa essas exigências por contrato.

Se você recebeu um adendo contratual de um cliente financeiro europeu com exigências de resiliência, continuidade, direito de auditoria e notificação de incidentes, é disso que se trata.

O que ele cobra, em linhas gerais

O regulamento se organiza em frentes que cobrem:

  • Gestão de risco de tecnologia, com governança e responsabilidade da alta administração.
  • Registro e notificação de incidentes relacionados a tecnologia, com prazos definidos.
  • Testes de resiliência, incluindo testes mais exigentes para entidades maiores.
  • Gestão de risco de terceiros de tecnologia, com exigências contratuais específicas.
  • Compartilhamento de informação sobre ameaças.

A ênfase geral não é evitar que algo falhe, e sim demonstrar que a operação continua quando algo falha. É por isso que continuidade tem peso tão grande aqui.

Captura de telaDORA na plataforma, com as áreas do regulamento.

Se você é fornecedor, olhe para estas quatro coisas

As exigências que os clientes financeiros europeus mais repassam:

Continuidade demonstrável. Não basta ter plano. Espera-se objetivo de recuperação definido, exercício realizado e resultado registrado.

Notificação de incidente com prazo. O cliente tem prazo regulatório para notificar a autoridade, então ele vai exigir que você o informe rápido. Esse prazo vira obrigação contratual sua.

Direito de auditoria e de acesso. O contrato provavelmente dá ao cliente, e à autoridade, o direito de examinar seus controles. Ter tudo organizado transforma isso de crise em rotina.

Cadeia de subfornecedores. Quem você usa para entregar o serviço passa a interessar ao cliente. Seu próprio módulo de Fornecedores deixa de ser formalidade.

O que é comprovado automaticamente e o que não é

Área Como é comprovada
Proteção técnica do ambiente, acesso, criptografia, logs Integrações
Backup e capacidade de recuperação Integrações, mais evidência de teste
Continuidade, objetivos de recuperação e exercícios Módulo de Continuidade
Registro e notificação de incidentes Módulo de Incidentes
Gestão de subfornecedores Módulo de Fornecedores
Governança e responsabilidade da administração Documentos publicados
Testes de resiliência Evidência periódica

Este é um dos frameworks em que o módulo de Continuidade deixa de ser opcional. Ele é o coração da resposta.

Por onde começar

  1. Leia o adendo contratual. Ele é o que efetivamente se aplica a você, e é mais específico que o regulamento.
  2. Ative o módulo de Continuidade. Defina o que é crítico, quanto tempo você pode ficar fora, e quanto dado pode perder.
  3. Faça um exercício de continuidade e registre. Plano sem exercício é o achado mais comum.
  4. Ajuste o processo de incidentes ao prazo contratual. Se o cliente precisa saber em poucas horas, seu processo precisa suportar isso.
  5. Organize a lista de subfornecedores com avaliação registrada.
  6. Prepare o pacote de auditoria com antecedência. O Trust Center e a área de auditoria ajudam a atender pedidos sem parar a operação.

O que costuma dar problema

  • Plano de continuidade nunca exercitado. É o item que mais separa quem atende de quem só declara.
  • Prazo de notificação irrealista. Aceitar em contrato um prazo que o processo interno não sustenta.
  • Subfornecedor não declarado. Especialmente serviços de nuvem e ferramentas de apoio.
  • Objetivos de recuperação genéricos. Sem número definido, não há como demonstrar nada.

⚠️ Esta página descreve o propósito e a estrutura geral do regulamento em linguagem própria, para orientar o uso da plataforma. Ela não é orientação jurídica e não reproduz o texto normativo. O enquadramento da sua empresa, as obrigações aplicáveis e os prazos devem ser definidos com assessoria jurídica qualificada e confirmados no contrato com o cliente.

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