Sumário:

  • Software GRC é um termo que abrange várias categorias de sistemas, como plataformas de gestão de riscos e auditoria para grandes empresas, ferramentas focadas em certificações de segurança (como ISO 27001 e SOC 2) e suas respectivas exigências (como gestão de fornecedores, por exemplo). Antes de avaliar as opções do mercado, vale identificar qual categoria de software GRC resolve o problema da sua empresa.
  • O sinal mais claro de que a gestão manual da conformidade deixou de funcionar é a dificuldade de comprovar, com evidências organizadas, que os controles de segurança são executados de forma contínua.
  • Um recurso incluído em um plano de assinatura de um software GRC pode não atender a uma operação na prática, por causa de limites no número de frameworks, usuários ou integrações (ou por ter um nível de automação menor que o necessário). Antes de contratar, certifique-se de que o limite disponível é o suficiente para obter a certificação necessária.
  • O custo total de uso (TCO) de um software GRC inclui a licença, a implementação, as horas de trabalho, os serviços, upgrades e uma eventual migração. Para comparar fornecedores, estime o custo de cada opção ao longo de um ciclo completo de certificação (que, no caso da ISO 27001 , por exemplo, é de três anos).

O GRC (Governança, Riscos e Compliance) é um conceito formalizado pela OCEG, que o define como “um conjunto integrado de capacidades que permite a uma organização atingir seus objetivos de forma confiável, lidar com incertezas e agir com integridade”.

Dessa forma, um software GRC é a ferramenta que apoia as atividades de governança, gestão de riscos e compliance: ele registra políticas e responsáveis, mapeia e trata riscos, organiza controles, coleta evidências e acompanha auditorias em um único lugar. Substituindo planilhas, pastas compartilhadas e e-mails por um fluxo rastreável, cada controle tem dono, prazo, evidência e histórico de revisão.

O software, porém, não toma decisões de risco pela empresa, nem assume a responsabilidade pelos controles ou emite certificações. Ele organiza e acelera a preparação para uma auditoria ou certificação, mas a responsabilidade pela conformidade continua pertencendo à empresa.

GRC corporativo e automação de compliance de segurança

Sob o rótulo de software GRC, há produtos com propósitos bem diferentes:

Tipo de solução

Foco principal

Perfil típico de uso

GRC corporativo

Riscos operacionais e financeiros, auditoria interna, controles regulatórios setoriais e gestão de políticas em grandes estruturas.

Empresas grandes, com áreas de risco, auditoria e compliance já estruturadas.

Automação de compliance de segurança

Frameworks de segurança da informação e privacidade (ISO 27001, SOC 2, LGPD, PCI DSS), coleta de evidências técnicas, integrações com nuvem e ferramentas de trabalho.

Startups e empresas de tecnologia que precisam comprovar segurança a clientes e auditores.

Gestão contínua

Uma única frente, como gestão de fornecedores, questionários de segurança ou gestão de políticas.

Empresas que precisam resolver um problema específico, como avaliar fornecedores ou responder questionários de segurança de clientes.

Para obter ou manter uma certificação de segurança e vender para clientes maiores, uma plataforma de automação de compliance tende a ser a ferramenta mais eficiente.

Quando a empresa realmente precisa contratar uma plataforma de compliance

Nem toda empresa precisa de um software GRC inicialmente, mas existem alguns sinais que costumam justificar a sua adoção. Eles são operacionais e aparecem antes da auditoria:

  • Evidências dispersas: prints, exports e documentos ficam espalhados entre drives, e-mails e conversas, e reuni-los para uma revisão leva dias.
  • Controles manuais e recorrentes: revisões de acesso, testes de backup e treinamentos dependem de lembretes para acontecer.
  • Responsabilidades confusas: ninguém sabe ao certo quem é o dono de cada controle, política ou risco.
  • Relação difícil com auditores: cada ciclo de auditoria exige que a equipe reúna evidências da execução dos controles do zero.
  • Gestão de terceiros sem método: fornecedores críticos não têm avaliação de risco, prazo de revisão ou histórico de respostas.
  • Dependência de uma pessoa: na experiência da Imara, um dos erros mais comuns é quando a certificação é toda conduzida por um único profissional que concentra todo o conhecimento. Sem ele, ninguém sabe dar continuidade.

O Verizon Data Breach Investigations Report 2025 mostrou que a participação de terceiros em violações de dados dobrou, chegando a 30%. A ISO/IEC 27001:2022 dedica controles específicos ao relacionamento com fornecedores (5.19 a 5.23 do Anexo A), e o NIST SP 800-161 orienta a gestão de riscos na cadeia de suprimentos de tecnologia.

Quando a empresa não precisa de um software GRC

Processos simples podem ser suficientes quando a empresa trabalha com um único framework, um escopo bem pequeno, poucos fornecedores críticos, não tem nenhuma auditoria externa marcada e possui uma pessoa com tempo dedicado para manter tudo atualizado. Neste cenário, organizar bem uma planilha e um repositório de documentos é um primeiro passo legítimo.

O ponto de virada costuma chegar quando um cliente, fornecedor ou a própria indústria exige uma certificação ou um questionário de segurança, quando um segundo framework surge ou quando a equipe percebe que passa mais tempo coletando evidências do que melhorando controles.

Critérios para avaliar um software GRC

Ao avaliar um fornecedor, peça a ele que mostre cada fluxo funcionando com dados de exemplo. Use os critérios abaixo como roteiro:

Frameworks suportados: Verifique se os frameworks de que você precisa hoje e nos próximos 12 a 24 meses estão disponíveis, com controles e requisitos mapeados. Pergunte se a plataforma mostra a sobreposição entre frameworks, para que uma mesma evidência sirva à ISO 27001 e ao SOC 2, por exemplo. Isso lhe poupará tempo no futuro.

Gestão de riscos: Avalie se é possível manter um inventário de ativos, uma matriz de riscos com critérios ajustáveis à sua metodologia e planos de tratamento com responsáveis e prazos de reavaliação.

Gestão de fornecedores: Confira se a ferramenta classifica a criticidade dos terceiros, envia questionários de due diligence, registra as respostas e avisa sobre renovações e reavaliações.

Políticas: Observe se há modelos de políticas, controle de versões, fluxo de aprovação, distribuição entre colaboradores e registro de aceite.

Coleta de evidências: Este é o critério que mais pesa no dia a dia. Separe o que é coletado automaticamente por integrações (e quais integrações estão disponíveis), o que exige upload manual e com que frequência os testes de controle rodam.

Fluxo de auditoria e acesso de auditores: Pergunte se o auditor pode acessar a plataforma com permissões restritas, consultar evidências e histórico sem depender de exports e registrar o próprio trabalho. Esclareça também como a ferramenta apoia a auditoria interna, exigida pela cláusula 9.2 da ISO/IEC 27001, que é diferente da auditoria externa de certificação.

Automações e integrações: Liste as ferramentas que a sua empresa usa (nuvem, repositórios de código, provedor de identidade, sistemas de RH e de produtividade) e confirme quais têm integração nativa. Para as que não têm, pergunte se existe API ou outro caminho de envio de evidências.

Governança de acesso: Verifique se há suporte a SSO, MFA, perfis de permissão e trilha de auditoria das ações feitas dentro da própria plataforma.

Suporte e onboarding: Pergunte quem conduz a implantação, em que idioma o suporte é oferecido e se há apoio para interpretar requisitos ou apenas suporte técnico ao software.

Possibilidade de adaptação: Empresas pequenas raramente seguem o modelo padrão de um framework à risca. Avalie se é possível criar controles próprios, ajustar políticas e incluir requisitos específicos de clientes.

Recurso disponível × recurso suficiente: onde surgem as limitações de um software GRC

Tabelas comparativas costumam marcar com um check a presença de cada funcionalidade, mas os problemas de fato aparecem na implementação, quando a equipe descobre que o recurso existe, mas não no volume ou no nível de automação de que a operação precisa. Verifique estes pontos:

O que verificar

Pergunta para o fornecedor

Limites por plano

Quais recursos mudam de um plano para outro: funcionalidades ou apenas quantidades?

Número de frameworks

Quantos frameworks o plano inclui e quanto custa adicionar o próximo?

Número de usuários

Colaboradores que só aceitam políticas contam como usuários? E auditores, podem ter acesso?

Nível de automação

Quantos controles do meu framework têm testes automatizados com as integrações que eu uso?

Integrações

As integrações de que preciso estão incluídas ou são vendidas à parte? Integrações customizadas têm custo?

Add-ons

Gestão de fornecedores, Trust Center, questionários e recursos de IA fazem parte do plano ou são módulos adicionais?

Personalização

Posso criar controles, políticas e campos próprios no plano de entrada?

Escalabilidade

O que acontece com preço e funcionalidades quando a empresa dobrar de tamanho ou adicionar um framework?

Como calcular o custo total de uso

Para comparar fornecedores de forma justa, monte um cenário que cubra um ciclo completo de certificação. No caso da ISO 27001, esse ciclo é de três anos, com a auditoria de certificação no primeiro ano, auditorias anuais de manutenção e a recertificação ao final. Considere os componentes abaixo:

Componente

O que incluir no cálculo

Licença

Valor do plano necessário para o seu escopo completo, com reajuste e diferença entre pagamento mensal e anual

Implementação

Taxa de onboarding, configuração inicial e horas internas para conectar integrações e revisar políticas

Operação

Horas mensais da equipe para manter controles, responder questionários e tratar riscos

Serviços

Consultoria, apoio na preparação para auditoria ou operação terceirizada, quando necessários

Upgrades

Custo de adicionar frameworks, usuários ou módulos ao longo do período

Migração

Esforço para importar dados da planilha ou de outra ferramenta, e para exportar os seus dados se decidir sair

Manutenção

Revisões anuais, recertificação e auditorias de manutenção

Para tornar a conta realista, estime as horas que a equipe gasta atualmente (sem a ferramenta) com a coleta de evidências e a montagem de pacotes de auditoria, porque é esse custo que a automação reduz. A calculadora de custo de conformidade da Imara faz essa estimativa a partir dos seus números, como frameworks mantidos, pessoas envolvidas e horas semanais.

Considere também quem vai operar a plataforma. Na experiência da Imara, contratar uma consultoria ou software sem ter pessoas para executar o trabalho é um dos motivos mais frequentes de atraso. É por isso que aqui, disponibilizamos também a opção de contratação do Compliance Champion, uma pessoa da Imara que pode operar a ferramenta pelo seu time, reduzindo o trabalho operacional interno.

Perguntas para fazer antes de contratar

Leve estas perguntas para a demo:

  1. Quais frameworks estão incluídos no plano que atendem ao meu escopo e como funciona o mapeamento entre eles?
  2. Quais das ferramentas têm integração nativa e que evidências cada integração coleta?
  3. O auditor externo pode acessar a plataforma? Em qual plano e com que permissões? Como a plataforma apoia a auditoria interna?
  4. Gestão de fornecedores, Trust Center e recursos de IA estão incluídos ou são cobrados à parte?
  5. Quais são os limites de usuários, armazenamento e frameworks, e quanto custa ultrapassá-los?
  6. Quem conduz o onboarding, quanto tempo leva e em que idioma é o suporte?
  7. Como exporto meus dados e evidências se eu decidir trocar de ferramenta?
  8. O preço é cobrado em reais ou em moeda estrangeira, e como funcionam os reajustes?

Matriz de avaliação

Dê a cada fornecedor uma nota de 1 a 5 por critério e multiplique pelo respectivo peso, que é uma sugestão inicial que deve ser ajustada ao seu contexto.

Critério

Peso para startup sem equipe de GRC

Peso para empresa com equipe de GRC

Frameworks necessários incluídos no plano

3

3

Coleta automática de evidências

3

2

Acesso de auditores e apoio à auditoria interna

3

3

Gestão de fornecedores

2

3

Gestão de riscos personalizável

2

3

Integrações com a stack atual

3

2

Suporte e onboarding em português

3

2

Custo total no período avaliado

3

2

Possibilidade de adaptação

1

3

Para startups, a automação, o suporte e o custo pesam mais porque a equipe e o orçamento são limitados. Já as equipes de GRC estruturadas tendem a valorizar profundidade em riscos, fornecedores e personalização.

Imara Trust: a alternativa brasileira para automatizar a conformidade

A Imara é uma plataforma brasileira de automação de compliance, criada para empresas que precisam obter e manter certificações de segurança da informação e privacidade com equipes enxutas. A plataforma reúne em um só ambiente:

Nos planos da Imara, as funcionalidades são as mesmas desde o plano inicial. O que muda entre eles é a quantidade de frameworks, usuários e armazenamento, mas todos possuem preços em reais e suporte em português. Para empresas sem equipe disponível para operar o programa, a Imara também oferece apoio especializado para conduzir a rotina de conformidade junto com o time interno.

Um exemplo é o da Aboda, empresa do mercado de capitais que concluiu sua jornada de adequação à ISO 27001 em aproximadamente quatro meses usando a plataforma para centralizar políticas, controles, evidências e riscos..

Se você está comparando soluções, conheça os planos da Imara ou solicite uma demonstração para avaliar a plataforma com base no seu escopo e nos critérios deste guia.

FAQ: Perguntas frequentes

Um software GRC garante a certificação?

Não, a certificação depende da auditoria de um organismo independente, que avalia se os controles foram implementados e operam de forma efetiva. O software torna todo o processo mais previsível, identifica e corrige lacunas antes da auditoria, organiza a implementação, mantém as evidências e reduz demandas de correção repetitivas, mas a decisão final é do auditor e a responsabilidade pelo programa continua sendo da empresa.

Uma plataforma de compliance substitui a consultoria?

Depende da maturidade da equipe. Empresas com profissionais de segurança ou GRC costumam conseguir conduzir o programa apenas com a plataforma e gerir mais frameworks com menos pessoas. Já as empresas sem alguém dedicado especificamente a isso podem precisar de apoio especializado, pelo menos no primeiro ciclo. Se optar pela consultoria, defina o prazo e as entregas no contrato.

Vale começar com um framework e expandir depois?

Para quem está iniciando o programa, começar por um framework costuma ser a abordagem mais segura. Antes de contratar, confirme como a plataforma reaproveita controles e evidências entre frameworks e quanto custa incluir o próximo, para que a expansão não exija refazer o trabalho nem mudar de ferramenta.